A pele é a mensagem
Revista Fantástico - número 3

Daniel

[Daniel]

Quando Daniel Weksler veste uma camiseta, todos costumam olhar diretamente para seu braço esquerdo. A distância, parece o braço de um robô. De perto é possível observar o planejamento conceitual do desenho. São símbolos de muitas décadas atrás, tempo que o baterista do NxZero não conheceu. Vêem-se um homem de polainas, um gramofone, uma harpa, um rádio de válvulas. Mas o mais explícito testemunho de Daniel está sobre seus ombros: são letras em alfabeto hebraico, com uma grande estrela-de-davi em cada ponta. A frase é lida como “Am Israel Hai” – “O povo de Israel vive”. “Essa expressão existe em várias preces e canções da religião judaica. E expressa o que sinto pela história de nosso povo, que passou por muitas coisas e continua aí.” Alguém não aprovou? “Muito pelo contrário. O pessoal da colônia judaica se sentiu superorgulhoso. Mas fiz isso por mim e pelo orgulho que tenho de meu povo e minha família.” Ironicamente seus antepassados foram tatuados à força na Alemanha pelo regime nazista. Hoje, a tatuagem, felizmente, é uma opção. E Daniel não se esqueceu de seu ídolo. Na altura do umbigo marcou os três círculos interligados que viraram o logotipo de John Bonham, o lendário baterista do Led Zeppelin.

Marco Antonio

[Marco Antonio]

É difícil aceitar que a história de Marco Antonio Andrezzo seja verdade. Ela parece o delírio ficcionista de uma rica imaginação. Talvez por isso mesmo esse homem de 37 anos tenha decidido marcar um pedaço de sua história ao redor do cotovelo. Quando criança, ele queria ser artista plástico como o pai. Desenhava muito, se aperfeiçoava. Mas quando chegou aos 18 anos decidiu iniciar a própria jornada. Começou em Hong Kong, ainda uma colônia britânica. O dinheiro acabou, ele virou garçom. Mostrou seus desenhos a um cliente e foi apresentado a um mestre tatuador. Passou os quatro anos seguintes tatuando. Entre seus clientes havia membros de diversas máfias chinesas. Com o dinheiro acumulado, Marco voltou para o Brasil. O espírito de aventura logo o empurrou até a França, onde se alistou na célebre Legião Estrangeira – também conhecida como “o exército dos homens tatuados”. A vida era duríssima. Mas, aos domingos, quando seus colegas de farda eram obrigados a fazer a faxina pesada do quartel, Marco era poupado para tatuar os oficiais. Dois anos depois, deixou a Legião e continuou praticando tatuagem em um de seus redutos mais tradicionais – o Porto de Marselha. Retornou ao Brasil e abriu um estúdio de tattoo, piercing e “body modification” com uma de suas clientes. Aproveitou para aperfeiçoar sua técnica numa escola de arte. Uma de suas marcas é uma chama negra subindo pelo antebraço. Na altura do cotovelo esquerdo, pintou uma larga faixa preta com a palavra que marcou sua vida pessoal: “LEGIONNAIRE”.





2000-2008 Globo.com. Todos os direitos reservados.