Deusas de domingo
Revista Fantástico - número 3

Renata Conde

Sentada no sofá do casarão construído pelo bisavô alemão a meio caminho do Corcovado, no Rio de Janeiro, a carioca Renata Conde (nascida Ribeiro von Staa) tira de uma pasta, onde se misturam revistas e recortes antigos, uma carta que tem quase o dobro da idade de sua filha caçula. Datilografada em papel timbrado e endereçada à Rede Globo, a mensagem é de um desconhecido de sobrenome alemão, que pede informações mais detalhadas sobre a morena, filha de pernambucano e alemã, que o encantara. Corria o ano de 1984.

Primeira “garota” a aparecer no quadro, Renata, então com 23 anos, era a imagem perfeita do que o programa queria para o espaço: jovens graciosamente sensuais – ou sensualmente graciosas. De biquíni ou camiseta, com ou sem maquiagem, elas saltitavam na areia da praia, mergulhando nas ondas, e cavalgavam de cabelos soltos. Talvez elas mesmas não desconfiassem, mas aquelas beldades estavam destinadas a deixar saudade em muita gente. A começar, quem sabe, pelo remetente daquela carta, a que Renata nunca respondeu.

Também ficou sem resposta o telegrama de uma clínica que – talvez querendo surfar no sucesso da gata – lhe oferecia tratamento gratuito de... beleza. Bobagem, claro. Antes de aparecer em rede nacional, Renata já era modelo. Com a agenda cheia, entre compromissos de trabalho e a atenção ao filho pequeno, só aceitou participar do concurso quando soube que apareceria na estréia do quadro. Bem-humorada, lembra o que disse na ocasião: “Beleza! Se é para ser a primeira, aceito”.

Nos anos 90, Renata começou a prestar consultoria no que chama de “humanização ambiental”, usando técnicas como a radiestesia. “É a depuração das energias em qualquer espaço, habitado ou não”, explica. Até hoje, o filão da “medicina da habitação” é o foco da empresa de Renata, que continua às voltas com captação e neutralização de energias. E com os instrumentos que não podem faltar em seu dia-a-dia: “Sempre carrego na bolsa um batom, o celular e um pêndulo”.

No casarão rodeado de verde, três dos quatro filhos de Renata se aproximam – o primogênito mora na Austrália. Enquanto Maria folheia um book, a caçula Lara descobre um recorte de revista. Lê, em tom de gozação, o título com o nome afrancesado: “Renata Olivier: mina de sol e mar”. “Meu pai não gostou nada dessa manchete”, lembra Renata. Com outra foto dos anos 80 entre os dedos, o filho Conrado interrompe: “Mãe, você não mudou nada”. Quase se pode ouvir o sorriso de Renata.

Convidada para ser uma Garota do Fantástico, Luciana Vendramini recusou: “Eu me achava muito menina”. Mas tanto insistiram que trocou a farda de Paquita pelo biquíni. “Morria de vergonha”, revela. Era 1987. Meses depois, vinha o convite para posar nua. Ela lembra com humor de ser Garota do Fantástico: “Quando me paravam na rua, o comentário era sempre o mesmo: ‘Nossa, ela é baixinha! Na TV, parecia um mulherão’. Hoje “totalmente voltada para o teatro”, anuncia para 2008 a montagem de um musical da Broadway, cujos direitos ela já comprou.

Dezembro de 1986. Gisele Fraga tinha 15 anos e trabalhava como recepcionista em um centro de convenções no Rio quando o clipe em que aparecia como Garota do Fantástico foi exibido. A repercussão, ela diz, só se compara ao que seria fazer o Big Brother hoje. “Nunca mais parei de aparecer na TV”, conta Gisele, que esteve em Desejos de Mulher (2001) e Malhação (de 1998 a 2000) e espera voltar às novelas. “Para ficar mais próxima das produções”, monta um apartamento no Rio. Propostas de trabalho? “Ainda não.” Por ora, vai incrementando seu novo site.



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