Deusas de domingo
Revista Fantástico - número 3

POR PAULO RUBENS SAMPAIO       FOTOS JORGE BISPO

Por cinco anos, de 1984 a 1989, as Garotas do Fantástico foram o colírio dos domingos. Anunciadas por Cid Moreira, irrompiam na tela saltitando de biquíni por cenários paradisíacos – praias, jardins –, seu doce balanço embalado por sucessos românticos da época. O público votava por telefone nas mais belas. Os prêmios não eram propriamente vultosos: uma viagem com direito a acompanhante, uma campanha de cosméticos. Mas, em matéria de repercussão, as vencedoras não tinham do que reclamar. “Ser uma Garota do Fantástico era o equivalente a fazer, hoje, um Big Brother Brasil”, compara Gisele Fraga. Com vocês, algumas das Garotas que faziam o verão durar o ano inteiro

Valeria Tuorto

Modelo fotográfica e cidadã do mundo, Valéria Tuorto foi a segunda colocada no Garotas do Fantástico de 1986, e deve ao concurso boa parte de seu sucesso profissional. Mas não todo. Carioca do Méier, criada em Copacabana, posa para câmeras desde criança. Sua estréia, por assim dizer, foi numa fotonovela, fazendo a namoradinha de infância de ninguém menos do que Sidney Magal, o cantor de “O meu Sangue Ferve por Você”. Tinha então apenas 10 anos de idade, mas, fotogênica, já parecia madura para a carreira. Pelo menos na opinião da agente que a descobriu no elevador do prédio onde morava. Desde então, Valéria nunca mais parou de, literalmente, fazer pose: apareceu em outdoors do magazine francês Printemps em Tóquio, na campanha publicitária de um chocolate na Itália e em oito filmes da Coca-Cola no Brasil.

“Adoro uma câmera”, diz, tomando água mineral numa tarde calorenta, no bar de Ipanema do qual o marido, Paolo, é sócio. A paixão, no entanto, não lhe tirou o recato. Ao contrário de muitas Garotas do Fantástico, a mimada filha de calabreses recusou convites para posar nua. Com registro profissional de atriz, apareceu, quase 30 anos depois da fotonovela, no capítulo inicial da novela Beleza Pura. Gostou da experiência, mas não se contenta com o que costumam chamar de “participação”.

A vontade de trabalhar como atriz é tanta que ensaiou concorrer neste ano a um lugar no Big Brother Brasil. Quem sabe aparecer no programa não aumentaria suas chances de fazer novela, pensou. Chegou a criar um fotolog, onde se apresentou como generosa, alegre e, claro, fotogênica. Mas não se inscreveu no reality show. Desistiu depois de se perguntar com quem o filho de 7 anos, Francesco, e o marido ficariam se fosse chamada.

Enquanto continua a fazer testes bem-sucedidos para campanhas publicitárias, a ex-estudante do curso de teatro do Tablado peleja para conseguir um papel de verdade numa novela, e, quem sabe, voltar a ser dirigida por um diretor de prestígio. Como no fim da década de 80, quando, convocada às pressas, tomou um avião em Mato Grosso do Sul e aterrissou num set de filmagem no Rio, onde o diretor Carlos Manga precisava de uma modelo que falasse italiano. “Nasci virada para a lua”, diz.

Enquanto a carreira no cinema e na TV não decola, ela se concentra em um novo projeto: o restaurante de culinária italiana que tocará com seu sócio napolitano, o marido Paolo.



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